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Quem governaria, após a morte do Rei?

08/03

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Artigo

Noite dessas, lendo um livro infantil com a minha filha Helena (7 anos), nos deparamos com a seguinte problemática criada pela autora Ana Maria Machado: O Rei e a Rainha tiveram três filhas mulheres e o reino todo perguntava-se: “Quem governaria, após a morte do Rei?”

Helena logo resolveu a questão: “Mãe, uma das princesas, claro!”

Eu sorri, meio constrangida, e expliquei a ela que, naquela época, as mulheres eram proibidas de governar e para que as princesas do livro tivessem esse direito, uma lei deveria ser criada autorizando mulheres a governarem o reino. Helena indignou-se e não pôde conter a enxurrada de perguntas que seguiriam noite adentro: - Como assim Mãe, só os homens governavam? Por quê? O reino torcia para que os bebês fossem meninos? E o que faziam com as meninas? 


Expliquei a ela que, naquele tempo, somente os homens tinham o direito de governar, pois achavam que as mulheres eram seres inferiores; expliquei também que as mulheres não tinham direito a voto; não podiam ter nem mesmo seu CPF (Helena adora os números do CPF e já tem o seu próprio); não podiam trabalhar fora de casa; não tinham a guarda de seus filhos, caso se separassem (se fosse permitido se separar, claro), dentre outras histórias seguidas de perguntas acompanhadas pelos olhinhos incrédulos de minha filha.

No fim, Helena me olha e diz: “Que horror, mãe! Não concordo com nada disso que acontecia antigamente. As mulheres são muito mais inteligentes que os homens e muitas delas são mais independentes também. Como assim não podiam governar e nem votar? Eu, hein! Vou dormir.”


Helena dormiu ao meu lado e eu segui com os meus pensamentos. Claro que não é o caso de dizer que somos mais, mais isso ou aquilo do que os homens, mas o fato é: SOMOS IGUAIS.


Pensando na excelente história do livro e trazendo-a para os dias atuais, penso que muita coisa mudou, mas muito ainda precisa ser mudado.

Embora possamos governar, a participação feminina em parlamentos é ínfima; a diferença salarial entre homens e mulheres ainda persiste no mercado de trabalho; mulheres exercem trabalho doméstico não remunerado; exercem trabalho de cuidadoras não remunerado; mulheres são assediadas moralmente e sexualmente no ambiente de trabalho, na rua, no trânsito, no supermercado, na feira, na escola, no cinema, no parque, nos trens e nos metrôs; mulheres são violentadas em casa e também na rua; mulheres são estupradas em casa e também na rua.


Mais um dia 08 de março chega em nosso calendário e penso que ainda vivemos como as 145 mulheres que morreram queimadas na fábrica em Nova Iorque/EUA (fato que deu origem à data), pois, ainda em 2017, continuamos lutando por melhores condições de vida, de trabalho e por igualdade de direitos.

Termino esse texto com a esperança que minha filha leia para suas filhas, livros contando a história dos dias de hoje, a história das nossas lutas e das nossas conquistas, e que delas se orgulhem, assim como nós nos orgulhamos das trabalhadoras que por nós morreram e deram origem a este dia tão especial.

Parabéns a todas as mulheres!  

*Ana Amélia Piuco | Advogada e sócia da PPCS 

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